A potência em advergames Skyworks acaba de ser comprada pela Gottaplay Interactive (empresa que disponibiliza jogos casuais por assinatura). Um casamento no mínimo simbólico. Afinal:
Digitalização da indústria publicitária
+ Crescimento do mercado casual
(e adicionando um ingrediente tupiniquim...)
+ Fim dos intervalos comerciais por conta da TV digital
= Mega-boom em advergames?
Abs,
T
Não sei, não. Lembro que quando eu fui sugerir para a minha professora de Desenho Industrial que meu trabalho de formatura fosse um mini-videogame mostrando as marcas dos produtos, ela disse: "Hmm não acho que tênis esportivos estejam na linha de consumo de crianças de dez anos, Bianca." Ou seja, ela achou que só crianças jogam videogames. Por mais que nós aqui saibamos o contrário, acho que todos os executivos pensam assim. E como são eles que decidem ou não investir em "advergames", não boto fé nesse ramo :(
Bia
Posted by: Bianca Feijó | 1 de setembro de 2006 at 04:48
Eu pessoalmente nao conheco muito o mundo de Advergames, mas a tendencia é exatamente essa, o mundo da publicidade cada vez mais procura saidas para o fim dos intervalos comerciais, apesar das mais novas estrategias publicitarias envolverem muito menos TV e serem muito mais efetivas.
Não queria falar uma frase tão profética mas que seja, eu acredito que em 1 ou 2 anos os Advergames vão estar numa posição tão elevada quanto os Games atuais. Alguem já viu o comercial da Coca-cola baseado em GTA?
http://www.youtube.com/watch?v=-u-o34vXKZA
Aqui vai, a RES não está muito boa mas dá pra entender do que se trata
Vamos ver né mais, acredito seriamente que os Advergames vão crescer muito nos prox anos.
Posted by: Bernard Graham | 1 de setembro de 2006 at 16:29
Bianca,
Infelizmente, você está certa em dizer que a decisão de quais jogos financiar fica muitas vezes nas mãos de executivos que pouco entendem da indústria. Mas você não concorda que esse quadro tem melhorado nos últimos anos?
A Google está às vésperas de fundir sua search engine com o setor de TV advertisement. Logo o Google saberá o que você procurou hoje à tarde, e quando você ligar a televisão à noite, só vai ver comerciais pertinentes aos seus hábitos de busca na net. Para um cliente de propaganda, isso é o paraíso - saber que os seus anúncios estão sendo entregues diretamente aos segmentos mais relevenates.
Agora imagine se a mesma idéia fosse aplicada a jogos. Você faz um search no Google por "receitas de comida árabe", e no dia seguinte, quando o seu personagem de 'Hitman' entra em uma área inexplorada da cidade, aparece um Habib's na esquina. O seu personagem entra, traça um kibe cru com tahine, recupera vida e faz cara de feliz. Onde você vai comer da próxima vez que quiser comida árabe?
Jogos podem ter um sem-número de modelos e texturas que ficam armazenados no servidor de uma empresa. Quando o sistema detecta que o usuário Thiago buscou "Tylenol" na Internet, o prédio da Drogaria Pacheco aparece no meu jogo, de preferência com um telefone real para pedido em domicílio. Se a minha busca foi "filhote de dobberman", aparece um pet shop em vez da farmácia.
Isso não é teoria da conspiração. A Google já está conversando com várias redes de TV como a FOX, e seu site corporativo lista várias vagas abertas como "Software Engineer, Television Technology". Vai acontecer da noite para o dia.
Abs,
T
Posted by: Thiago Aiache | 4 de setembro de 2006 at 01:28
Finalmente um espaço para conversa adulta... só espero que seja permitido discordar ferozmente...
Eu não sou o único que acha que advergames vão ser o caixão da indústria de jogos no Brasil. É importante entender porque eu digo isso. Não é uma oposição cega. Nos EUA, os advergames vão morrer porque a legislação está para cair em cima. Já bastava a máquina publicitária americana deitar e rolar na televisão (tudo que agora é proibido fazer com comerciais de cigarros ainda é permitido com outros venenos como açúcar, bebida e fast-food). Mas agora, com advergames, a fronteira entre propaganda e manipulação ficou tênue demais para as autoridades ignorarem (como relata essa reportagem do San Francisco Chronicle - http://www.sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?file=/c/a/2006/07/20/MNGIHK27621.DTL ).
Mas não é isso que eu acho que vai acontecer no Brasil (como se o nosso governo fosse eficiente assim...). O nosso caso é outro. Os advergames vão destruir a indústria por um simples fator: concorrência desleal. É o mesmo problema da democracia. Quando os tiranos governavam sozinhos, eles faziam o que achavam mais sábio sem dar satisfação a ninguém. A partir do momento em que governantes passaram a ser eleitos com o apoio do povo, eles começaram a dever favores aos "apoiadores". Dessa forma, o candidato com mais apoiadores se torna mais forte (porque tem mais fundos de campanha), mas também deve mais favores que ele vai ter que cumprir no gabinete... enquanto o candidato mais honesto (que não fez tantas promessas) não tem chances porque fica sem recursos. Foi assim que surgiu a máquina do lobby político.
O mesmo com advergames. Jogos com apoio financeiro de uma marca sempre vão gozar de mais recursos que jogos independentes (mesmo que os independentes contenham idéias mais puras ou inovadoras). Como a indústria de jogos no Brasil ainda está em formação, o crescente domínio de advergames logo vai esmagar qualquer concorrência e impedir idéias realmente genuínas (= candidatos pobres) de encontrar seu público.
Pode até ser que advergames tragam benefícios em outras áreas (empregos, tecnologia e etc...), mas não dá para contestar a lógica acima.
Posted by: Fred "Azzure" Melo | 6 de setembro de 2006 at 02:37
Fred,
Eu não me proponho a contestar a sua lógica (que embora soe um pouco crua, me parece razoavelmente sensata). Mas existem outros lados da moeda que, no balanço final, podem anular o dano que você aponta - e inclusive ajudar a indústria.
Um desses fatores é a questão do know-how. Nossos jogos têm pouca competitividade com produtos internacionais não só por falta de recursos, mas também por falta de experiência em game dev. É verdade que advergames podem inundar a indústria, mas com isso, podem trazer um rápido aumento de know-how que o Brasil demoraria uma década para acumular.
Quando o know-how obtido com advergames for aplicado aos presentes jogos independentes, o resultado será produtos AAA. Tudo tem seu lugar na história ;)
Abs,
T
Posted by: Thiago Aiache | 10 de setembro de 2006 at 12:16
Complementando o artigo - http://www.3pointd.com/20060914/virtual-adidas-store-sells-second-life-shoes/ . A Adidas lançou seu primeiro produto virtual no MMOG "Second Life".
Quanto ao debate sobre advergames destruindo a indústria, acho de um catastrofismo exagerado. Nós estamos entrando na era do user-created content em videogames, em que os jogadores tem o poder de alterar qualquer aspecto dos jogos que não lhes agrade. Uma tirania de advergames como o Fred sugere não pode sobreviver nessas condições. Se a Coca-Cola investe dois milhões em um advergame, o que me impede de hackear o código e substituir todas as garrafinhas por pinos de boliche? (ou pior, por garrafas de Pepsi!)
Eu acredito que o futuro está em advertising em universos massivos, do jeito que a Adidas está fazendo. É mais eficaz para todo mundo - a empresa gasta menos e tem bem mais controle sobre a sua propaganda, podendo alterá-la com base em feedback do consumidor. E os usuários podem optar por não lidar com as marcas comerciais, já que os mundos virtuais são infinitos.
Ciao,
/Justo
Posted by: Justo Levy | 20 de setembro de 2006 at 00:06
Bem, em primeiro lugar, gostaria de dar minha opinião de que o problema de executivos não saberem exatamente como funciona o mercado de jogos é um problema nacional, que é até compreensível, dada a pouca importância que jogos têm como uma indústria no Brasil. Nos EUA, a pujância deste mercado é tão clara e tão divulgada que acredito que grande parte dos empresários já trata jogos com sua devida importância.
No entanto, no caso específico dos advergames, o que ocorre é uma falta de metodologia que comprove a eficácia dos anúncios em jogos. As grandes empresas de propaganda estão começando a se acostumar a esse novo tipo de propaganda, e grandes estudos estão sendo terminados agora, finalmente provando a eficácia e eficiência da propaganda através de jogos.
Agora, é importante diferenciar os tipos de advergames. Há os jogos completamente feitos em nome de uma só marca, e estes me parecem bem consolidados. Mas são jogos pequenos, normalmente para websites (como na matéria apontada pelo Fred), e não creio que possam direcionar uma indústria inteira. Jogos mainstream nesse estilo, como o velho Cool Spot (da marquinha da 7Up), não me parecem uma tendência, até porque seria muito arriscado uma Coca-Cola investir 20 milhões de dólares num jogo que leva 2 anos pra ser produzido e ela não sabe se, quando for ao mercado, terá o efeito que ela imaginava no público.
Já os jogos normais que contém in-game advertising, estes eu realmente creio que sejam uma forte tendência. Especialmente em jogos online, como disse perfeitamente o Justo. A facilidade de troca de conteúdo dinamicamente é um grande atrativo para as empresas de propaganda, e já há empresas especializadas nisso. O futuro profético do Thiago me parece bem real.
No entanto, estes investimentos de empresas de propaganda, hoje em dia, não devem ultrapassar muito mais que 5% do investimento total de um projeto. E conseguir 5% do dinheiro não me parece o problema da indústria brasileira hoje em dia. Assim, não creio que seja possível um domínio de advergames no Brasil. Mas o futuro é realmente um cara misterioso... Quem sabe...
Aliás, o Duran Duran (famoso grupo de pop-rock) vai fazer shows no Second Life também. Ê mundinho interessante, esse Second Life... http://news.bbc.co.uk/2/hi/technology/5253782.stm
Posted by: Raphael Dias | 25 de setembro de 2006 at 03:33
Raphael,
Já cruzei com pelo menos um estudo sobre advergames por ai. Lembro de poucos detalhe - entre eles a importância atribuída ao estado emocional exato em que o usuário se encontra quando a marca é exibida.
A inserção de marcas em um momento 'morto' da partida - quando o personagem está se deslocando entre pontos de interesse, por exemplo - é significativamente menos eficaz do que em sequências eufóricas. Assim, uma cena em que o personagem dirige um carro Honda enquanto escapa de bandidos dá mais retorno do que outdoors estáticos pelo cenário.
Sem dúvida os micro-advergames (jogos onde o conteúdo adver é homeopaticamente dosado) têm mais futuro que os Cool Spots. Futuro próximo, pelo menos.
Posted by: Thiago Aiache | 3 de outubro de 2006 at 22:12
it s work in digital very well i think
Posted by: adidasi | 12 de fevereiro de 2010 at 12:15